03/04/2017

Bate-papo com Danka Maia | O Rei - Sedutor, insaciável e único

Olá, livreiros!

É difícil viver em um mundo onde o vício é maior do que imaginávamos, não é mesmo?
Se você está lendo esta postagem, com certeza você também é um (a) viciado(a) em livros assim como eu.
Quando se trata do mundo literário eu não gosto de ficar guardando informações só para mim, gosto de compartilhar histórias, críticas,  indicações e até mesmo curiosidades.

E é por este motivo que eu venho aqui indicar o livro "O Rei - Sedutor, insaciável e único " da autora brasileira Danka Maia e aproveitar o espaço para compartilhar o Bate-papo que tive com a autora sobre a obra citada acima.

Confira a resenha aqui.
Estão prontos para conhecer o outro lado da moeda?


Acho que todos os seus leitores devem querer saber o mesmo que eu, quando lançará seus livros em formato físico? Já tem planos para esta etapa na sua carreira como escritora?
Meus livros  físicos estão disponíveis pelo Clube de Autores.
Muitos leitores os adquirem lá. Agora, se você fala sobre editora, noite autógrafos, eu já vivi isso. Meu primeiro livro, A Casa Dos Destinos,  me deu tudo isso e foi uma experiência maravilhosa que me ensinou e amadureceu muito no processo da carreira literária. Então, agora é focar na qualidade das tramas e esperar o momento certo para uma boa editora.


Danka, sempre que leio suas obras a primeira coisa que me vem à mente é : de onde ela tira essas idéias? (risos) Como funciona a parte de criação de suas histórias, é tudo de caso pensado ou as ideias surgem conforme vai escrevendo?
Vamos por parte.  (risos). Eu poderia inventar aqui mil e uma histórias sobre de onde as ideias surgem, mas a verdade é uma só, elas vêm a minha mente, as que amadureço separo como livros e então dou sequência ao trabalho. Alguns chamam isso de inspiração. Difícil definir… Um escritor não para de trabalhar quando fecha seu notebook, caderno ou afins… Sua mente ainda permanece ligada na história… São cenas, músicas, pessoas, personagens, uma gama de informações que você vai absorvendo pelos poros até chegar à mente.  A inspiração para mim é tudo que me cerca desde o dia a dia aos meus sonhos a noite, ou seja, são frutos da minha mente inquieta ou maluca mesmo. (risos).
Quando eu amadureço uma dessas ideias que citei acima. Eu crio uma linha mental de como seria essa história. Começo, início e fim. Faço o arcabouço. Vou para parte de laboratório, porque um escritor precisa estudar e muito sobre o que vai escrever. Após esse momento onde sinto que domino as partes elementares da trama então sento e escrevo.
Os amigos mais próximos que acompanham meu trabalho e me ajudam como revisor outros como betas podem afirmar isso. Eu escrevo muito rápido porque fui condicionada a isso. Eu comecei a escrever antes de saber de fato escrever. Explico. Quando tinha uns três ou quatro anos de idade, meu pai só ficava em casa aos domingos, pois trabalhava muito. E aquele tempo para mim era muito precioso, mas meu pai adorava ler, entre livros e jornais havia os gibis, uma paixão dele. Então tínhamos um trato, ele costumava me dar os gibis que ele cansara de ler (risos), porém eu ficava intrigada porque aqueles livros, gibis chamavam tanto a atenção dele. Um dia eu quis um gibi que pelas regras ainda não poderia ser meu. Fiz birra, choro, coisas de criança, e ele me deu um conselho. Disse para que “lesse” o gibi, gravasse a história e montasse minha própria história em minha cabeça diante daquelas gravuras, assim teria uma história só minha. Pronto! Não parei mais! Lembro-me de ficar pela casa atrás de minha mãe contando minhas histórias diante dos gibis que tinha. Sabia todas de cor. Então, foi ali que de fato eu comecei. Então meu modo de escrever ainda é o mesmo. Eu elaboro na mente, estudo, sento e escrevo.


Conforme leio suas obras, percebi que você gosta de usar nomes bem diferentes e personagens bem característicos. Como seus personagens são criados e de onde surgem os nomes? São baseados em pessoas reais ou são apenas fictícios?
Meus personagens são criados dentro da concepção do enredo mesmo. Ali é que eu defino quem será quem. Quanto aos nomes, eu adoro nomes diferentes e que tenham significado de acordo com a personalidade de cada um. Uma marcar minha. Até tenho livros com personagens com nomes mais comuns, não quer dizer que eu não os use, mas prefiro o diferencial.
Alguns personagens têm um pouco de mim, um pouco de uma pessoa que conheci ou li sobre. Aqui entra o que citei a pouco, da inspiração, dessa gama de informações que estão a nossa volta. Porque o personagem precisa criar no leitor três requisitos básicos: empatia, simpatia e antipatia. Sem esses precedentes você não consegue uma identificação do leitor com a história. Já aconteceu muitas vezes de leitores me contarem que não curtiu tanto a história, mas, ama determinado personagem. Embora o principal deva ser o enredo em minha opinião.


Neste romance -"O Rei" - você criou cenas de violência doméstica e sexual que deixou seus leitores furiosos com alguns personagens. Qual a mensagem que você quis deixar para seus leitores com estes acontecimentos?
Essa pergunta é ótima! Ah, eu ainda sou de uma linha que acredita que o livro precisa cumprir uma lição, um ensinamento, uma reflexão por ser um instrumento de mudança social. Então quando decidi abordar a violência doméstica, com Adonis e Sarita, e abuso sexual, com Mármara, eu queria focar que a mensagem deveria ser clara, impactante e real. A violência doméstica mata cinco mulheres por hora diariamente em todo o mundo. Isso é estarrecedor! O que acontece? Será falta de informação? Então usei o que amo fazer que é escrever para trazer as reflexões: Se for uma Sarita, SAIA! Se não for, leia para que JAMAIS se torne uma! O mesmo apliquei com o abuso sexual. Às vezes uma criança que consideramos problema, rebelde, claro que isso não aplica a todas evidentemente, mas no caso que  mencionei no livro, ela agia daquele jeito como um grito de socorro que ninguém ouvia. A mensagem é: Tenha mais atenção às crianças a sua volta. O perigo nem sempre está ao lado, às vezes mora debaixo do mesmo teto e abusa da sua confiança para agir deliberadamente.


Em uma das cenas de luxúria do Rei com sua lacaia Danka, foi bem claro que você se descreveu (risos) e eu pude ver as cenas tão reais quanto vejo o amor que você sente por escrever. Como foi criar um personagem com suas características e detalhar a cena de sexo entre vocês ?
Menina!!! (risos). Eu só decidi brincar de ser a lacaia do Rei porque eu queria mostrar aos leitores que não há nada glamouroso em ser escritora. Às vezes as pessoas tendem a ver o escritor, o artista em si como algo distante sabe, um ser diferencial. E minha intenção ali foi mostrar que sou uma mulher como qualquer outra, que se pude realizar minha “fantasia” com o rei Baldur, qualquer uma pode. Apenas quis desmistificar essa ideia. Eu não fui uma personagem, ali fui eu, Danka Maia. ( risos). Só escrevi aquilo que imaginava vivenciar se eu estivesse com ele. Tranquilo. Normal, melhor, de perto ninguém é certo. Gargalhando aqui.


Danka, eu gostaria de pedir sua permissão para uma conversa rápida com Baldur, Mármara e Sarita.
Danka: Tem toda a minha permissão!


Vou deixar a realeza de lado e conversar com o homem que existe sob a coroa.
Baldur, você teve algumas oportunidades de beijar Mármara mas não foi ousado quando devia. Foi por medo de ser rejeitado ou por medo de não conseguir lidar com as emoções?
Olá Adriana, em primeiro lugar quero dizer o quanto me senti honrado em saber que era seu desejo em ser uma de minhas lacaias. Rsrsr. Fico pensando que lâmina usaria com você... Rsrsrs. Mas diante de sua pergunta, não foi por medo ou rejeição. Eu não queria aceitar a ideia de que tinha sido vencido pelo amor. Essa era a minha resistência. Ver meu mundo onde também era rei ruir. Eu não queria deixar de ser “onipotente” dentro do meu eu. Mas amar Mármara se tornou a minha melhor realidade. Eu amo a minha rainha maluca de cabelos vermelhos.


Você é um homem gentil e romântico, isso todos já sabem. Mas notei que você foi hiperbólico   ao se declarar para Mármara logo que descobriu quais eram os seus sentimentos por ela. Você é assim mesmo ou realmente exagerou no romantismo?
Foi uma gama de emoções contidas por uma vida inteira que explodiu com tudo diante do sentimento confessado. Então não foi exagero, para mim foi uma libertação. Eu precisava dizer cada palavra que disse. Eu precisava viver com veemência cada minuto ali. Como reprimir uma represa poderosa por anos com afinco e de repente essa cede e tudo vem com muita intensidade À tona, e essa intensidade trouxe sim, meu lado romântico. Além do mais eu prefiro pecar pelo excesso do que pela escassez. Para alguém, uso como, por exemplo, você, que tem sua vida emocional mais definida talvez seja mais complexo compreender alguém que jamais acreditou tal oportunidade. Quando vi o quão era bom aquele sentimento entreguei-me. Eu fui sincero comigo mesmo. Isso me basta.


Sarita, eu não sei o que se passou em sua cabeça ao permitir tudo o que aconteceu com você. Eu realmente não entendo e acho que não há justificativas para os erros que cometeu. Mas te darei o espaço - se você quiser -  para você contar  o que de fato estava acontecendo e porque decidiu o monastério.
Eu quero aproveitar sim esse espaço. Sei que o quer que eu diga será pequeno perto de tudo que fiz. Mas eu amava Adonis. Não minto, ainda amo. Não se desfaz de um sentimento doentio simplesmente porque ele é doentio. Leva um tempo para que tudo se processe. Mas ver o que ele queria fazer com Ikanaton foi a catarse que faltava, o motivo, a razão que eu precisava para aceitar essa condição de que eu não amava, eu está doente por ele. Quando se é vítima de violência doméstica, e quando há sentimento, é difícil compreender que a aquele pessoa não possa mudar diante da intensidade do seu amor por ela.  Você acredita que pode. Eu acreditava. Talvez se ele estivesse vivo eu não sei se ainda estaria no monastério. As vezes me pego pensando sobre isso. A decisão de vir para o monastério foi como meu castigo pessoal. Aqui em acordo as três da manhã, faço preces até as cinco, depois preciso ajudar em todos os afazeres que vão da limpeza até o cuidado com idosos e órfãos. Lidar com eles me faz ver como fui imatura, fútil e louca. Penso no meu filho. Mas deixa-lo com Mármara e Baldur foi sim minha melhor opção como mãe. Ikanaton merecia isso de mim. Embora deseje que ele saiba quem foi seu pai. Acho justo. Quanto a morte de Dario, sempre que olho para um rosto idoso penso nos anos que roubei dele. Eu tirei dele o direito de viver e envelhecer, cuido de cada um dos idosos na esperança de estar cuidando de Dario de algum modo. É isso. Obrigada.


Mármara, com tudo o que aconteceu com você na infância e na adolescência eu entendo que certos medos são difíceis de ser esquecidos. Mas porque decidiu ser dominatrix e tratar seus companheiros de forma tão rude? Foi uma forma de tentar honrar seu nome após o que aconteceu com você?
Oi Adriana, um prazer conhecê-la, mas que história é essa de ser lacaia do meu marido? Passarei por esse detalhe. (Por enquanto). Não foi uma decisão. Foi a única forma que eu tive de impor a outro ser humano o respeito por mim. Até então eu acreditava que a submissão era uma forma de conquistar força sobre o outro. Foi o que a vida tinha me ensinado, ou pelo menos o que entendi. Eu cresci sendo a garota encrenca, a que os pais cochichavam nos ouvidos de seus filhos: Mantenha-se longe dessa menina, ela é problema, não vê o que o pai passa com ela?  - Não é nada animador passar a vida tendo incontáveis pares de olhos sobre você com aquele tom julgador onde não importa o que você fale ou passa, você é a culpada. Mas eu não ia me abater por isso. Merda nenhuma! Liguei o dane-se, e segui. Mas eu consegui, a maioria não consegue. O olhar humano deveria seguir sua natureza, ser de fato mais humano com o próximo. Eu espero de todo meu coração que minha história tela colaborado de algum jeito para que as pessoas passem a se importam mais com as outras, começando com as da própria casa. Muito obrigada pela oportunidade. Estou de olho em você mocinha! Lacaia não é? Já sabe que eu sei.


Por enquanto minhas questões são somente essas... E para sair um pouco desse clima sério, que tal um ping-pong de palavras com a autora Danka Maia?
A brincadeira é o seguinte: Eu direi palavras e/ou frases e a autora deve falar a primeira coisa que vem em sua mente para cada palavra que eu disser.

Let's go!


Ser autora é...
narrar histórias que a vida esqueceu-se de contar.

Amor...
O Sentimento mais poderoso do mundo.

Sonhos...
Um dia trarei o Oscar de melhor roteiro para o Brasil.

Meu maior medo é...
Tenho muitos, mas não consigo ver nenhum deles como o maior de todos. Ter medo faz parte da natureza humana.

Se eu pudesse...
Me mudaria para Grécia hoje mesmo.

"O livro"
Atos de Fé, de Eric Segal.

Quente ou frio?
Frio. sempre.


Danka,
obrigada por toda a atenção concedida à mim, seus leitores e ao blog.


E para encerrar esse bate-papo gostoso...
...deixo aqui um espaço livre para você mandar um recadinho, beijo ou o que desejar.
Sucesso, sempre!
Eu quero agradecer por esse rico espaço que me foi dado tão carinhosamente. Muito obrigada mesmo. Agradeço as minhas ciganas e ciganos, leitores que se tornam amigos que amo. Agradeço de todo meu coração. Deus abençoe a todos!!!





Beijocas da Dri